”“Não compartilho meus pensamentos achando que vou mudar a cabeça de pessoas que pensam diferentemente. Compartilho meus pensamentos para mostrar às pessoas que já pensam como eu, que elas não estão sozinhas.” (autor não identificado)

sexta-feira, 29 de abril de 2016

A nossa claudicante e débil Educação

Quantos (estudantes, professores, pais) sabem que ontem, 28 de abril, foi o dia da educação?

Posso afirmar que poucos sabem, basta observar as manifestações nas redes sociais e na mídia. Até mesmo entre estudantes e educadores se ignorou a data. Se fosse feriado escolar (e seria esse ano parte do que se chama "feriadão") talvez alguns se lembrassem da data.

Mas isto pode ser considerado normal em um país onde o desapreço pela educação é tão evidente; um país onde a educação é tratada como coisa secundária, servindo o vocábulo mais à demagogia política do que à instituição e consolidação da cidadania.

A data seria apropriada para se iniciar um debate aprofundado sobre o rumo da educação no Brasil. Mas quem está interessado nisso? Os governos, nos três níveis, levam o assunto em "banho-maria", gastam fortunas em propaganda sobre a educação, mas somente "para inglês ver". No fundo o que se deseja é a cruel manutenção da ignorância.

A mídia silenciou sobre uma data tão importante. A violência, a corrupção, os escândalos, a miséria, a desgraça nacional, ocupam os espaços de uma mídia mais sensacionalista e mercantil do que social. Os proprietários dos de veículos de comunicação, os governantes, os políticos, e principalmente as religiões estruturadas, mantém-se fiéis à hipocrisia instituída e apoiados por fabulosos apelos midiáticos, disseminam a ilusão de que têm interesse pela educação, quando na realidade produzem apenas uma débil ilusão. 

Respeitando e parabenizando as exceções, temos uma contaminação generalizada entre os educadores. Um grande contingente de profissionais está envolvido com artimanhas políticas, através da atividade sindical. Um outro contingente é alienado e exerce sua profissão de forma burocrática, tão somente cumprindo as rotinas estabelecidas, como se fosse um quitandeiro, um pedreiro, um sapateiro. Esperam a aposentadoria para se verem livres deste "aborrecimento".

O educador Darcy Ribeiro, um gigante na defesa da educação de qualidade nos mostra, em um dos seus textos toda a crueldade do sistema: "A rica direita brasileira, desde sempre no poder, sempre soube dar, aqui ou lá fora, a melhor educação a seus filhos. Aos pobres dava a caridade educativa mais barata que pudesse, indiferente à sua qualidade (...).". Atualmente podemos aí incluir a "rica" esquerda.

No Rio de Janeiro, Os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), idealizados por Darcy no Governo de Leonel Brizola, integrariam um revolucionário projeto pedagógico, que previa assistência em tempo integral às crianças, com atividades recreativas e culturais complementando o ensino formal. Os estudantes teriam alimentação de qualidade com refeições completas. Os CIEPs materializariam os projetos formatados pelo educador Anísio Teixeira, ainda na primeira metade do século passado.

Os CIEPs talvez não fossem perfeitos, mas já representavam um grande avanço e o projeto poderia ser enriquecido com idéias de mesmo caráter. Mas foram execrados e abandonados por pressão das forças retrógradas e reacionárias, as mesmas que disseminam a ilusão e produzem perfumaria.

Pouco temos a comemorar hoje, temos mais a lamentar; lamentar que o Brasil esteja estagnado, com sistema educacional semi falido. Observando as Escolas fundamentais os Colégios e Escolas Técnicas de ensino médio e as Universidades administrados pelos governos dos três níveis, vemos, entristecidos, a face mais negra da nossa Educação.

Pobre país que naufraga, mal educado e festeiro, sem educação!

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