”“Não compartilho meus pensamentos achando que vou mudar a cabeça de pessoas que pensam diferentemente. Compartilho meus pensamentos para mostrar às pessoas que já pensam como eu, que elas não estão sozinhas.” (autor não identificado)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Mazelas do Brasil, ontem e hoje

O Geólogo paranaense Ivan de Araújo Simões (1935-2001) em seu interessante Baião Semita (Garamond / 2002) – primeira obra do projeto editorial do Centro Monteiro Lobato, nos conta que um político, amigo de outro com grande influência no governo, foi nomeado para um importante cargo técnico na Petrobrás – esta mesmo, que hoje foi assaltada pelos "companheiros" e seus amigos.

Escreve ivan Simões:

“Ao assumir o posto, assistiu a uma apresentação sobre o andamento dos trabalhos de desenvolvimento dos campos de petróleo da Bacia de Campos, cuja produção se estava iniciando.
O apresentador explicava que o desenvolvimento da bacia seria por regiões, denominadas pólos, dentre os quais um dos mais importantes era o Pólo Nordeste. Ao ouvir a referência, o nobre político, que estivera provavelmente dormindo no inicio da apresentação (aliás algo comum entre alguns executivos da época). Ao ouvir as palavras ‘pólo nordeste’ e ‘desenvolvimento’, interrompeu entusiasmado na apresentação e, de sua tribuna (perdão, poltrona), solenemente proclamou:
– Regozijo-me ao ver que a Petrobrás, como eu, preocupa-se com a situação do sofrido povo nordestino, que sempre viveu à margem do progresso, do qual somente desfrutam os habitantes do Sul e do Sudeste de nossa pátria. Vocês podem contar com todo o meu apoio para projetos dessa profundidade (realmente o projeto envolvia água profundas).
Depois de alguns minutos de falação política, provavelmente alertado por algum assessor, deixou a apresentação prosseguir e voltou ao sono, agora dos mais justos, embalado provavelmente por sonhos com os relevantes projetos sociais que poderia empreender em prol do esquecido Nordeste, também um destacado pólo – de pobreza...”.

O competente geólogo e perspicaz observador do cotidiano, captou neste episódio duas pragas que corroem a administração pública brasileira: A nefasta nomeação de "companheiros", amigos e afins para cargos que deveriam ser preenchidos por exclusiva competência técnica e a execrável exploração política das questões que há muito envolvem o Nordeste e outras regiões miseráveis do país.

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