”“Não compartilho meus pensamentos achando que vou mudar a cabeça de pessoas que pensam diferentemente. Compartilho meus pensamentos para mostrar às pessoas que já pensam como eu, que elas não estão sozinhas.” (autor não identificado)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O esquecido Belvedere do Grinfo

Procurando no google fotos de Gordines, DKW’s, Fissores, Simcas e outros modelos nacionais da década de sessenta, me deparei com uma verdadeira preciosidade, cuja lembrança, confesso, já estava arquivada em algum remoto compartimento da minha memória: O Belvedere do Grinfo, na Rodovia Rio-Petrópolis.

Lembrei-me então que na minha adolescência, lá pelos anos sessenta, quando ia à Petrópolis com os amigos, na volta parávamos no mirante para comermos os deliciosos salgadinhos que eram vendidos numa agradável lanchonete que havia no local. Naquela época a edificação estava em muito bom estado, com perfeito funcionamento da fonte trípice-circular que faz parte do conjunto arquitetônico. Era magnífico olhar em direção à baixada de Xerém e observar a tarde despedindo-se, enquanto às nossas costas a noite se anunciava.

Lembrei-me ainda que entre o final da década de setenta e o início da de oitenta, ia com meu fusca assistir jogos do Bangu contra o Serrano no Estádio Atílio Marotti e na volta observava da estrada o Mirante, já decadente.

Segundo pesquisei, a área circundante e o conjunto arquitetônico estão hoje, como toda a Rodovia, sob a administração da CONCER, que já teria declarado ter intenção de executar obras de melhoramento para revitalização do local.

Meu esquecimento do mirante foi tão profundo, que quando do tão divulgado anúncio do projeto de construção do Museu de Arte Contemporânea de Niterói e mais tarde quando da sua inauguração, não me chamou atenção a enorme semelhança do MAC com o charmoso Belvedere do Grinfo, nome emprestado da região de Petrópolis onde foi construído.

Oscar Niemeyer, em sua centenária existência, provavelmente deve ter passado muitas vezes pelo local, Se parou ou não no mirante não sei. Se admirou a leveza quase volátil de sua arquitetura também não sei. O que me fascina é a possibilidade de que ao fluir das mãos do arquiteto os traços essenciais do projeto do MAC, uma abismal inspiração o houvesse tocado. A mesma inspiração que provavelmente também o tocou quando idealizou o Memorial da América Latina, com aquela mão sangrando, que lembra em muito a Open Hand Sculpture, em Chandigarh, na India, concebida por Le Corbusier, do qual Niemeyer foi discípulo.

Entendo que o museu de Niterói seja apenas um projeto a mais na fabulosa obra do arquiteto brasileiro. Mas é um projeto importante, não se pode negar. Diante disso, seria um belo presente para nosso patrimônio arquitetônico e cultural se os herdeiros de Niemeyer ou a Fundação que leva o seu nome, liderassem um movimento para uma plena recuperação do Belvedere do Grinfo, devolvendo-lhe a beleza original e transformando-o num centro cultural para preservação da memória do tradicional caminho do Rio de Janeiro para Petrópolis.
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Fotos:


Belvedere do Grinfo - Projeto: Não identificado.
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Open Hand Sculpture - Projeto: Le Corbusier.
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Museu de Arte Contemporânea - Projeto: Oscar Niemeyer.
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Memorial da América Latina - Projeto: Oscar Niemeyer.
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